Seus braços sangram incessantemente, mas a dor parece pequena. E quando volita no obscuro da solidão, tudo deixa de fazer sentido. Permite que as lágrimas escorram livremente pelo seu rosto. Porém a verdadeira dor encontra-se interna, martelando-lhe o peito e roubando-lhe a paz. Toda a mente se volta ao mesmo pensamento. Então, esquece que amanhã o Sol novamente nascerá, e uma nova chance há de nascer. Ele tenta… Tenta livrar-se da agonia de viver. Ainda que consiga, seu tormento não chegará ao fim. Talvez esse amanhã nem mais lhe chegue. Inevitavelmente, faz marcas em seu corpo, pensando que apenas assim a dor vai passar. Cansou de procurar o sentido da vida, ou talvez, tenha percebido que viver não faz sentido. Agora, a solidão o faz companhia. Está trancado em seu mundo particular, seu refúgio, na penumbra, procurando chorar sem fazer barulho, e guardando em si todo o rancor de uma razão que até ele desconhece. Permite-se cair, porquanto vê em si a incapacidade de seguir adiante. Não vê que é alimentado por seus próprios pensamentos sombrios, quando desaba na negritude que lhe fortalece as nocivas inclinações. Cai e afoga-se nos próprios cortes… Na própria dor. Ela temporariamente cessa, mas de nada adianta tentar fugir. Seus problemas sempre retornarão com a mesma intensidade, porque abandonar-se, deixando esvanecer-se nos templos do próprio sofrimento, não passa de uma ilusão… Uma grande ilusão.

— Querino Neto (via escritor-de-gaveta)

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  2. escritor-de-gaveta posted this
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤTalvez o início de uma outra utopia. Talvez, ainda, um reencontro comigo mesmo. Só sei que escrever tornou-se um refúgio... Uma maneiraㅤqueㅤeu encontrei de gritar sem fazer barulho.
esvaindo-me aos poucos
nos sepulcros da minha própria solidão
lábios doces
palavras ácidas